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GIRANDO O CARROSSEL

 

Venho fazer girar o carrossel,

falar de amor, de sonhos, fantasias,

transcrever para a tela o que o papel

deixaria perder-se em  ventanias.

 

Ante teus olhos trago os pensamentos,

inspirações girando nas imagens,

o que se passa nos meus bons momentos,

nos meus recolhimentos e viagens.

 

E vou girando assim a minha roda,

compondo versos sem perder o encanto,

sem me afastar do que estiver em moda,

pondo alegria onde estiver o pranto.

 

Jo®ge das Neves

poeta@infolink.com.br

 

EM ÓRBITA

 

Há mistérios de Amor no carrossel

da Lua Branca linda entre as estrelas.

Fito-as em transe, só para entendê-las,

e cavalgando vou no meu corcel.

 

O mistério das águas também sinto

e o sintonizo em cada amanhecer.

Mesmo sabendo que é profundo ver,

alguma coisa atrai-me pelo instinto.

 

O que serei se eu reciclado for?

Renascerei qual Fênix mais bela?

Em que planeta ou mundo de aquarela

há de surgir um transformado Amor?

 

Estou em órbita!... Navego assim

como uma nuvem branca sem proposta.

Em que momento chegará resposta

nesse Universo? Que será de mim?

 

 

 

Tangos passados

 

O tango tange a corda e a música me invade

com tais recordações da Orquestra de Canaro

que de minha juventude aflora na saudade

de muitas matinês, de algum domingo raro.

 

A prima me ensinava a dançar... Que vontade

sentia de beijá-la. Era mais velha. Paro

às portas do desejo e, quando a mocidade

ardia-me no peito, eu dela me separo...

 

Oh, “Adiós pampa mia”, adeus primeiro amor!

“A Media Luz” sofri nos tangos e na dor

por não saber que a vida em ciclos se resume.

 

Hoje o tango me traz saudades do passado...

Não mais dançando assim meu tango apaixonado,

da prima * já nem lembro os passos e o perfume!

 

* Wanda

 

 

Continuamente

 

Dos sonhos vão chegando imagens condensadas

em vivas impressões que moram no meu peito,

aquelas que me são aqui desarquivadas,

sem nenhuma censura ou reles preconceito.

 

Cada soneto é rio à margem das estradas,

é sinfonia, é som que passa pelo estreito

canal da minha pena, em tantas madrugadas,

quando acordo a escrever. Não sei, quando me deito,

 

que imagens me virão, que versos comporei,

se faço a execução de formas transcendentes,

pairando pelo mundo em línguas que nem sei.

 

Apenas sei dizer que toda a inspiração

expresso no papel em linhas reluzentes,

na magia do som. E os sonhos lá se vão...